Sobre a institucionalização da revolução
Cena I – Ontem eu participei de uma reunião do sindicato. Tratava-se do debate entre as chapas que iriam disputar o próximo período de direção. Decidi ir para conhecer as propostas e os sujeitos candidatos. Logo de cara me senti deslocado em relação ao diálogo com os ditos camaradas, pois havia toda uma metodologia de participação, comum a eles, mas não óbvia para quem estava chegando. Teríamos de colocar nossas perguntas em envelopes antes mesmo de ouvir as falas dos sujeitos e os conhecer. Não havia tempo para reflexão. E isso parecia saciar o desejo democrático dos organizadores. A experiência me fez lembrar de uma observação que fiz a muito tempo. A institucionalização das ações revolucionárias não garante sua continuidade. As tornam puro plástico, discurso manipulável como um rótulo que permite qualquer conteúdo. Cena II – Reunião do Conselho de um grupo de capoeira que está se organizando como instituição. Pela primeira vez, através de edital, um maior número de membros...